Quello che si dice

( Canta: Charles Aznavour )
( Autores: C. Aznavour - Garvarentz - G. Calabrese - 1972 )

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Originale


Io vivo solo con mammà
in una vecchia proprietà,
Via Paganini,
con una gatta in libertà,
la tartaruga senza età
e i canarini.

Perchè mammà riposi un pò,
ci penso io, visto che so,
a cucinare,
mettere in ordine, pulire,
fare la spesa e, perchè no,
anche a cucire.

Paura a lavorare? Mai!
Io sono un pò decoratore
e un pò stilista,
però è la notte dove so
che io dò tutto quel che ho.
Sono un artista!

Eseguo un numero speciale
che chiudo col nudo integrale,
che mi si addice,
e nella sala vedo che
i maschi dicono di me:
"È un uomo, o quel che si dice".

A cena poi, verso le tre,
ho tanti amici intorno a me,
di tutti i sessi,
c'e' un aria di cordialità,
un'assoluta libertà,
senza complessi.

Scoprendo delle verità
sul conto di chi non ci va,
lo lapidiamo,
con umorismo, sempre,
ma con raffinata crudeltà,
lo distruggiamo.

C'è qualche ritardato che
crede di scimmiottare me,
con l'ancheggiare,
povera gente che non sa
quanto ridicola si fà.
Da compatire!

Gente che ride più che può,
parla con gesti da tenor
o grande attrice,
io, lazzi e frizzi lascio che
passino alti su di me:
"Un uomo, o quel che si dice".

Rientro all'alba e già lo so,
che a casa mia ritroverò
la mia tristezza,
parrucca e ciglia toglierò,
ma i segni non cancellerò
della stanchezza.

Mi stendo, ma non dormo mai,
penso agli amori senza gioia
e derisori,
a lui, che so soltanto io,
e infiamma, bello come un Dio,
i miei pensieri.

Parlargli, io, non oserò,
so che non gli rivelerò
la mia condanna,
se il meglio della verde età,
in letti anonimi, lo da
ad una donna.

Però non mi guardate mai
con aria di severità
giudicatrice.
Che colpa posso avere se
madre natura fa di me
un uomo, o quel che si dice!

Tradução


Eu vivo somente com mamãe
numa velha propriedade,
na Rua Paganini,
com uma gata em liberdade,
a tartaruga sem idade
e os canários.

Para que mamãe descanse um pouco,
eu penso, considerado que sei,
cozinhar,
manter as coisas em ordem, limpar,
fazer as compras e, porque não,
também a costurar.

Medo de trabalhar? Nunca!
Eu sou um pouco decorador
e um pouco estilista,
porém é de noite que sei
que dou tudo o que tenho.
Sou um artista!

Executo um numero especial
que concluo com um nu integral,
que em mim é bonito,
e na sala vejo que
os homens dizem de mim:
"É um homem, ou aquilo que se diz".

No jantar depois, quase as três da madrugada,
tenho tantos amigos em minha volta,
de todos os sexos,
há um ar de cordialidade,
uma absoluta liberdade,
sem complexos.

Descobrindo algumas verdades
sobre alguém do qual não gostamos,
o lapidamos,
com humorismo, sempre,
mas com refinada crueldade,
o destruímos.

Ha alguns retardados que
tentam macaquear-me,
meneando,
pobrezinhos que não sabem
quanto ridículos tornam-se.
Fazem compaixão!

Gente que ri mais que pode,
fala com gestos de tenor
ou de grande atriz,
eu, chacotas e zombarias deixo que
passem altas sobre mim:
"Um homem, ou aquilo que se diz".

Eu regresso ao alvorecer e já sei,
que em casa reencontrarei
a minha tristeza,
peruca e celhas postiças tirarei,
mas não cancelarei os sinais
do cansaço.

Deito, mas não durmo nunca,
penso nos amores sem alegria
e irrisórios,
penso nele, que sei somente eu,
e inflama, belo como um Deus,
os meus pensamentos.

Falar-lhe, eu não ousarei,
sei que não lhe revelarei
a minha condenação,
se o melhor da verde idade,
em camas anônimas, o dá
a uma mulher.

Porém não olhem nunca pra mim
com ar de severidade
julgadora.
Que culpa posso ter se
a mãe natureza faz de mim
um homem, ou aquilo que se diz!

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