Capinera

( Canta: Aurelio Fierro )
( Autor: A. Giuliani - 1918 )

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Originale


La chiamavan Capinera
pei suoi ricci neri e belli,
stava sempre fra i monelli
per la strada tutto il dì.

Scalza e lacera una sera,
m'apprestavo a rincasar,
col visino suo di cera
me la vidi avvicinar:

"Dammi un soldo, ho tanta fame"
"Hai la mamma?" - "Non ce l'ho".
"E il tuo babbo, la tua casa?"
E lei triste "Non lo so".

Provai una stretta al cuore
e quella sera
la mia casetta accolse
Capinera.

E lei cantava, cantava giuliva,
di trilli e gridi la casa m'empiva,
ed un bel sogno nel cuor carezzavo.
La contemplavo, forse l'amavo.

Tredici anni lei compiva.
S'era fatta pensierosa.
"Pensi forse a qualche cosa che ti manca?"
"Non lo so".

Primavera,
sole e fiori.
Capinera è sempre là.
Sta affacciata e guarda fuori.

"Cosa vuoi?" - "La libertà".
"Non hai casa, non hai mamma, dove andrai?"
Rispose: "Andrò".
Con la mano piccolina l'orizzonte m'insegnò.

Provai una stretta al cuore
finchè una sera
più non trovai a casa
Capinera.

Di trilli e gridi
la casa m'empiva.
La contemplavo,
forse l'amavo.

Fu in un'alba di Gennaio,
dopo l'orgia rincasavo,
nevicava e m'affrettavo
già ad aprire il mio porton.

Ma a distanza molto breve,
vidi un certo non so che
affiorare tra la neve.
Dissi allor: "Vediam cos'è".

Eran cenci. Io li rimossi.
Diedi un grido: "Due piedin".
Due piedini scalzi e rossi,
poi le mani, poi un visin.

Un urlo mi sfuggì
vedendo ch'era,
la mia piccina,
la mia Capinera.

Forse pentita al suo nido tornava.
Forse quaggiù, che le aprissi invocava,
mentre la neve saliva, saliva,
e lei moriva.

E lei moriva!

Tradução


A chamavam de Capinera
pelos seus cachos negros e belos,
estava sempre entre os moleques
pela rua todo o dia.

Descalça e maltrapilha uma noite,
eu estava voltando para casa,
com o seu rostinho de cera
a vi aproximar-se

"Dá-me um dinheirinho, sinto tanta fome"
"Tens a mamãe?" - "Não a tenho".
"E o teu pai, a tua casa?"
E ela triste "Não sei".

Senti um aperto no coração
e naquela noite
a minha casinha recebeu
Capinera.

E ela cantava, cantava feliz,
de gorjeios e gritos a casa enchia,
e um belo sonho no coração acariciava.
A contemplava, talvez a amava.

Treze anos ela fazia.
Tornou-se pensativa.
"Pensas talvez a algo que te falta?"
"Não sei".

Primavera,
sol e flores.
Capinera está sempre lá.
Está debruçada e olha fora.

"O que queres?" - "A liberdade".
"Não tens casa, não tens mãe, onde irás?"
Respondeu: "Irei".
Com a pequena mão o horizonte me indicou.

Senti um aperto no coração
até que uma noite
não encontrei mais em casa
Capinera.

De gorjeios e gritos
a casa enchia.
A contemplava,
talvez a amava.

Foi num amanhecer de Janeiro,
depois da orgia voltava pra casa,
nevava e me apressava
para abrir o meu portão.

Mas a uma distancia muito breve,
vi algo estranho
aparecer entre a neve.
Disse então: "Vamos ver o que é".

Eram trapos. Eu os removi.
Dei um grito: "Dois pezinhos".
Dois pezinhos descalços e vermelhos,
depois as mãos, depois um rostinho.

Um grito me escapou
vendo que era,
a minha pequena,
a minha Capinera.

Talvez arrependida ao seu ninho voltava.
Talvez aqui, pedia que lhe abrisse o portão,
enquanto a neve subia, subia,
e ela morria.

E ela morria!

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